Embora o presidente Jair Bolsonaro tenha dito nesta quarta-feira (13) que vai conversar com o ministro da Saúde, Nelson Teich, para incluir o uso da cloroquina, e seu derivado hidroxicloroquina, no protocolo de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) de pacientes com sintomas leves da Covid-19, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, disse que a pasta estadual não reconhece ainda evidências científicas que indiquem a utilização dessas drogas em casos clínicos mais leves.

“O Governo de Pernambuco foca na ciência e nas evidências que podem orientar ou não o uso de uma medicação, que pode ser importante, desde que seja pesquisada”, disse André Longo, frisando que riscos e benefícios devem ser medidos antes de adotar uma medicação como protocolo.

“Não conheço a motivação da presidência da República (em adotar a medicação), mas imagino que seja pelo melhor dos pacientes. Temos que entender que o uso dessa medicação tem efeitos colatorais. Não sou especialista na parte de infectologia, mas posso falar de cardiologia. E muito me preocupa o uso dessa medicação sem que haja uma avaliação mínima do ponto de vista cardiológico. Em alguns casos, sobretudo naqueles que têm alteração no eletro, há risco de morte súbita”, completou Longo.

O secretário do Estado disse ainda que o próprio Ministério da Saúde distribuiu a medicação, mas que indica o uso do fármaco apenas em ambiente hospitalar. “É preciso cautela antes de adotar qualquer protocolo para casos clínicos mais leves”, advertiu Longo, que comentou ainda o fato de alguns médicos estarem prescrevendo a medicação para os pacientes com quadros leves e que fazem tratamento em isolamento domiciliar.

“A prescrição médica é soberana e deve ser respeitada pelos gestores. Deve ser comunicado os riscos aos pacientes e, com eles sabendo, fazerem um debate junto com o médico para decidir usar ou não. É lamentável que alguns tenham até distribuído cloroquina, incluindo médicos.”