O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, voltou a frisar, nesta quinta-feira (30), o desejo de poder contar com o auxílio das forças nacionais de segurança para intensificar a política de isolamento social no Estado.

Embora haja uma série de recomendações e campanhas educativas pedindo para a população evitar aglomerações e sair de casa apenas quando estritamente necessário, não é visto avanço nesse sentido. Pelo contrário, o índice de adesão às medidas até caiu nas últimas semanas.

O desejo de Longo em intensificar a quarentena, tornando-a obrigatória, ou até mesmo estabelecer um lockdown na Região Metropolitana do Recife, epicentro da Covid-19 no Estado, é claro. Inclusive, o governador Paulo Câmara solicitou, em videoconferência com Nelson Teich, na quarta (29), que o Ministério da Saúde possa sinalizar a importância de maior rigidez nessas medidas em estados que enfrentam situação mais delicada, como é o caso não só de Pernambuco, mas também do Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Amazonas, Pará e Maranhão.

“É preciso que tecnicamente o governo reconheça essa necessidade em alguns estados com situação mais crítica e que possa vir apoio logístico das forças de segurança nacional para desenhar como seria esse lockdown. Isso seria pensado muito mais para a RMR nesse momento, onde há um conjunto maior de dificuldades”, indicou Longo, dizendo que, da mesma forma que o governo sinaliza ajuda para planejar o distencionamento em áreas menos atingidas, deve reconhecer que outros locais precisam ter medidas enrijecidas e agir.

“Nos cabe, como autoridade sanitária, intensificar as medidas de isolamento. Estamos chegando ao limite da nossa capacidade como estado, e também os municípios. Precisamos de apoio do governo federal para um maior controle. É muito complicado fazer lockdown ou quarentena absoluta sem apoio do governo federal e com voz dissonante como a que parte da presidência da república”, disse o secretário.

Pernambuco tem hoje 98% dos leitos de terapia intensiva da rede estadual ocupados e chega a registrar filas com mais de 100 pessoas na espera por uma vaga para internação em UTI. Entre as situações que mais preocupam estão as filas formadas nas portas das agências da Caixa Econômica Federal para recebimento do Auxílio Emergencial.