Pernambuco tem, nesta segunda-feira (20), 99% de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da rede pública dedicados ao tratamento de pacientes com o novo coronavírus. A afirmação é do secretário de Saúde do estado, André Longo.

“Estamos com 99% de ocupação dos cerca de 300 leitos de UTI já disponibilizados. Esse número impõe uma situação crítica, que já coloca algumas pessoas na fila, aguardando por mais tempo que deveriam por um leito de UTI”, afirmou o secretário, em entrevista coletiva concedida pela internet.

Ao todo, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), há 646 leitos abertos, dedicados exclusivamente para a doença, sendo 319 de UTI. Nesta segunda, o número de casos confirmados do novo coronavírus no estado aumentou para 2.690, e o de mortes, para 234. Foram 231 novas confirmações e 18 óbitos a mais.

“É, realmente, muito preocupante a situação, apesar do esforço. Todos os dias se abrem novos leitos, há um esforço enorme em relação a isso, mas aquele passo que nós estávamos à frente da epidemia não existe mais. Nós já estamos alinhados, epidemia e leitos, e isso é bastante preocupante”, afirmou o secretário André Longo.

Questionado sobre a taxa de letalidade dos pacientes com a Covid-19, o secretário André Longo informou que há um número de subnotificações a ser considerado, já que, atualmente, não é possível testar todos os casos.

“A taxa de letalidade tem viés de estar superestimada, na medida em que você só está avaliando os casos com maior gravidade, que chegam dessas localidades. Para fazer a avaliação de letalidade, precisávamos ter uma ampliação de testagem, para testar, também, casos leves. Para cada situação dessas, que você se configura em casos graves, você tem um conjunto de seis a sete, algumas [pessoas] até falam oito vezes o número de pessoas que, verdadeiramente, teriam a Covid-19”, disse.

O maior número de casos e, consequentemente, de leitos ocupados no estado, segundo o secretário, ocorre devido ao índice de isolamento social.

“O índice de isolamento social tem caído em nosso estado, isso nos traz uma grande preocupação. […] Os modelos matemáticos apontam para uma curva mais íngreme da epidemia. Estamos num índice de isolamento em 50%, quando ideal seria 70%. Esse isolamento moderado resultará numa curva mais acelerada de crescimento da epidemia e um maior número de óbitos em nosso estado, infelizmente”, explicou André Longo.