Nas duas últimas semanas, Pernambuco viu a demanda de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) aumentar em 316%. Tem dias que o número de pessoas com necessidade de suporte hospitalar supera uma centena, segundo o comandante da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), André Longo.

O resultado disso é uma frequência cada vez maior de doentes nas portas de unidades de saúde clamando por atendimento e em espera por leitos.

“Hoje temos uma situação critica. Já há uma fila por leitos de UTI. Ela é extremamente dinâmica, varia durante o dia. Às vezes, dependendo da hora do dia, você pode captar uma fila maior do que 100 pessoas”, revelou o secretário.

“Pernambuco vive em franca aceleração, com um crescente do número de casos e de óbitos. Foram abertos mais de 400 leitos de UTI quando somados os esforços do Governo do Estado e do Recife. Reconhecemos que a situação dos nossos serviços de saúde é muito difícil, porque as pessoas estão adoecendo ao mesmo tempo”, completou.

Longo associa o estrangulamento da capacidade do sistema de saúde a uma dificuldade da população em adotar as medidas de isolamento social. De acordo com pesquisas externadas por ele, seria necessário um índice de isolamento na casa dos 70% para assegurar um ritmo menos acentuado de disseminação do vírus. O Estado, apesar das várias campanhas de conscientização realizadas, não conseguiu chegar a esse patamar em nenhum momento desde o início das recomendações por parte da gestão estadual, há mais de 40 dias.

“A falta de um isolamento na casa dos 70% tem levado os pernambucanos a adoecerem ao mesmo tempo. Embora receba assistência nas Unidades de Pronto Atendimento, nas salas vermelhas de estabilização, não é confortável ficar aguardando leito de terapia intensiva em uma unidade de referência. É uma situação que temos alertado temos o início do enfrentamento dessa doença no Estado”, afirmou, passando um recado para a população.

“Ou nos conscientizamos para acentuar a curva de casos nos próximos 15 dias ou serão dias duríssimos. As pessoas se aglomerando em portas de bancos, nas ruas, vai morrer muita gente. Temos procurado ser o mais claro possível nessa mensagem e estamos aqui mais uma vez reforçando isso. Os números já são muito duros e por trás deles tem uma vida ceifada, dores familiares, profissionais tendo que escolher quem vão levar primeiro para terapia intensiva. Isso está se agravando a cada dia e a gente não nega. O que acontece hoje é fruto de 15 dias atrás. O que fazemos hoje será visto mais pra frente.”

Segundo a Central Estadual de Regulação Hospitalar, a taxa de ocupação dos leitos destinados a pacientes com a Covid-19 nesta quarta-feira (20) é de 92%, sendo 98% dos leitos de UTI e 86% nas enfermarias. No total, há 773 leitos exclusivos para o tratamento da doença – 387 de UTI e 386 de enfermaria.