Com as atenções das autoridades de saúde e da população prioritariamente voltadas para a pandemia do novo coronavírus, velhas doenças conhecidas podem ganhar espaço e acabar dificultando a vida das pessoas. No período de chuvas, arboviroses como dengue, zika e chikungunya se tornam mais frequentes. De acordo com o clínico geral do Hapvida, Maurício Cavalcante, a incidência de casos dessas doenças aumenta em épocas chuvosas porque o número de criadouros do mosquito também cresce. “O acúmulo de água da chuva em jarros, vasos e recipientes em geral faz o número de casos crescer”, apontou.

A Secretaria de Saúde do Estado (SES-PE) informou que foram registrados 11.562 casos suspeitos de dengue, em 177 municípios do estado de Pernambuco, o que também representa uma redução de 64,54% quando comparada com o mesmo período de 2019, quando foram notificados 32.491 casos. A redução também foi significativa nas notificações de chikungunya, que registraram 1.293 casos em 100 municípios, contra 4.418 no ano passado, o que corresponde a uma redução de 70,7%. Para zika, até o momento, foram notificados 608 casos, em 62 municípios, caracterizando uma redução de 70,9% em relação ao mesmo período de 2019, que notificou 2.089 casos.

O monitoramento é realizado semanalmente através das notificações de casos suspeitos, registrados pelas unidades de saúde, e pelos indicadores entomológicos, bimensais, obtidos pelo LIRAa (Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti). Ainda segundo a SES, o diagrama de controle mostra que, até a Semana Epidemiológica 21 de 2020, que extrai os dados do período entre os dias 29 de dezembro de 2019 a 23 de maio de 2020, o coeficiente de incidência de casos prováveis de dengue do estado de Pernambuco encontra-se abaixo do limite superior de casos notificados para o período, o que significa que o Estado está dentro da normalidade. Contudo, 16 municípios estão com alta incidência (≥ 300 casos por 100.000 hab.), são eles Afogados da Ingazeira, Afrânio, Altinho, Casinhas, Cedro, Dormentes, Garanhuns, Granito, Jucati, Lagoa Grande, Palmeirina, Quixabá, Salgueiro, São Bento do Una, Serrita e Triunfo.

No Recife, conforme apresentado no boletim epidemiológico de arboviroses da Secretaria de Saúde do Recife (Sesau), de 29 de dezembro de 2019 até o dia 25 de abril deste ano, foram notificados 603 casos. Destes, 481 são de dengue; 112, de chikungunya; e 10 são de zika. Até o momento, foram confirmados 166 de dengue e 35 de chikungunya. Os números apontam uma redução de 58,9% de notificações e de 69% dos casos confirmados. Ainda conforme o boletim, o total de notificações está abaixo do limite máximo esperado. Nas últimas oito semanas, os bairros que apresentaram o maior número de casos notificados, foram Areias (8), Ibura (6), Cordeiro (4), Iputinga (4), Jardim São Paulo (4) e Várzea (3).

Segundo Cavalcante, dentre as arboviroses mais comuns — dengue, zika e chikungunya —, os sintomas mais frequentes e que estão presentes em todas são febre alta, dor de cabeça, fadiga, náuseas e dores musculares e nas articulações. “É preciso ter muito cuidado, porque os sintomas dessas arboviroses pode ser facilmente confundido com os sintomas da fase inicial da Covid-19”, alerta. Transmitidas pelo mesmo mosquito, Aedes aegypti, o tratamento das arboviroses é feito com uso de medicação sintomática. “Além da hidratação e do repouso do paciente, que são muito importantes, o tratamento é feito com medicação para febre e para as dores”, esclarece. O especialista lembra ainda que a melhor forma de se prevenir é evitando a picada do mosquito, que faz do acúmulo de água em recipientes e reservatórios destampados o seu criadouro. “É muito importante que a população permaneça vigilante no combate às arboviroses e que não relaxe os cuidados por conta da pandemia”, conclui.