Pernambuco tem, atualmente, em torno de quatro vezes mais casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) do que o mesmo período há um ano atrás. Isso, segundo o secretário estadual de Saúde, André Longo, reforça a entrada na fase de aceleração descontrolada, quando o número de casos aumenta consideravelmente.

O Estado tem 1.154 casos confirmados e 102 óbitos ligados à Covid-19 em pouco mais de 30 dias. Projetar o que esperar dos próximos 30 dias, contudo, parece desafiador, uma vez que o cenário depende diretamente do comportamento da população.

“Temos seguido uma curva mais atenuada do que poderia ser e mais íngreme do que poderia ser. Se estivéssemos com isolamento social na casa dos 70%, a curva poderia estar menor. Mas se não estivéssemos fazendo nada, poderia estar mais íngreme. A gente tem flutuado na casa de 50% de isolamento. Se nos esforçarmos mais, os número daqui a 30 dias poderão ser melhores do que se nós relaxarmos no isolamento”, destacou o gestor.

O exemplo doloroso de países que relaxaram no início da epidemia, como Itália e Espanha, serviu para tentar entender melhor o curso da doença e buscar antecipar ações, como aumentar o número de leitos de enfermaria e, sobretudo, de terapia intensiva, com unidades hospitalares temporárias. Isso, no entanto, não diminui a preocupação com o cenário que se aproxima. É estimada uma subida do número de doentes nos próximos dias, chegando a um pico de casos em meados de maio.

“É fato que começamos o processo de aceleração e estamos vendo nossas unidades serem muito mais demandadas de casos de Srag. É algo preocupante, já reflexo da chegada da epidemia aqui. Temos procurado estar um passo à frente da doença, com abertura de leitos. Mas é certo que se não houver adesão ao isolamento, podemos chegar ao ponto de ter mais caso novos do que leitos. Hoje abrimos leitos, amanhã serão abertos leitos. Nossa taxa de ocupação de leitos de UTI já varia entre 86%, 88%, 90%. Não queremos ter fila aguardando leito de UTI. É importante que a população também ajude nesse isolamento social”, explicou Longo.

“Isso tudo nos preocupa muito. Serão dias difíceis os que estão por vir. O pico poderá ser mais antecipado ou não a depender do comportamento, mas esperamos isso (pico da epidemia) no decorrer do mês de maio. Os próximos dias serão fundamentais para determinar esse pico. Estamos em franca aceleração da epidemia”, reforçou.