Pressão extrema, ansiedade, sobrecarga de trabalho e medo pela exposição acima do normal à Covid-19 se tornaram parte da realidade diária de muitos profissionais da saúde nas salas de emergência e UTIs de hospitais lidando com o novo coronavírus. E os efeitos já começam a ser sentidos na saúde mental deles — a ponto de alguns poderem ficar temporária ou permanentemente incapacitados para seu trabalho em situações de emergência.

É isso o que centenas de terapeutas e psiquiatras voluntários têm diagnosticado em sessões gratuitas e virtuais que vêm sendo oferecidas a profissionais da saúde na linha de frente da pandemia — entre os pacientes estão médicos, equipes de enfermagem, fisioterapeutas e nutricionistas hospitalares, por exemplo.

O programa Telepan Saúde, idealizado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e pela Associação Brasileira de Neuropsiquiatria (ABNP), já ofereceu mais de 250 consultas online, em todo o Brasil.

“Estamos observando desde quadros leves de medo, ansiedade, insônia crônica e apreensão, que são a maioria até agora, até quadros moderados e graves de extrema angústia e incapacitação laboral. Alguns desses profissionais estão nos relatando a violência da sociedade contra eles: sendo expulsos de ônibus e ouvindo que eles não deveriam estar ali, porque vão infectar as pessoas”, diz à BBC News Brasil o psiquiatra Helian Nunes, professor da UFMG, vice-presidente da ABNP e um dos idealizadores do projeto de teleatendimento a profissionais de saúde.

“É um certo estigma que vai sendo criado contra os profissionais da saúde. A gente tem que fazer um esforço muito grande para inibir isso. Por que quem vai cuidar da gente são essas pessoas, e a gente tem que ajudá-las.”