A dificuldade para conseguir vagas em leitos de enfermaria ou de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para o tratamento da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, tem preocupado pacientes e parentes. Nesta segunda (27), a taxa de ocupação desses leitos no estado, por pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), é de 91%, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.

O motorista de ônibus Rogério Amorim passou mal na noite do domingo (26), com sintomas da Covid-19, mas gravou um vídeo tentando tranquilizar os amigos e familiares. “Eu tenho passado esse vídeo pra dizer a vocês que eu estou passando um momento difícil, mas na minha vida tenho fé em Deus que eu vou sair disso. (Para) Todos vocês, eu preciso também repousar, descansar, tá certo?”, disse, entre uma tosse e outra.

Nesta segunda-feira (27), a situação de Rogério piorou, e a esposa dele, Elani Maria do Nascimento, ficou desesperada durante a espera por um leito para o marido. “Estamos aqui nessa clínica Agamenon Magalhães desde sexta-feira (24) com meu esposo. Ele está muito mal, cada dia pior, desde o sábado (25)”, afirmou.

A luta por atendimento adequado começou em Jaboatão Velho, no Grande Recife, e acabou no bairro de Afogados, na Zona Oeste do Recife, na Policlínica Agamenon Magalhães.

“Esse é meu sogro, já de idade. Ele teve que vir de Tracunhaém [na Zona da Mata] para socorrer ele. A cada dia mais, a situação dele é muito séria. Muito grave. Está piorando cada dia mais. Na policlínica em Afogados [no Recife], a gente vai pedir informação aos médicos, mal a gente sabe. Eles não falam nada. Só dizem que estão aguardando a Central de Leitos. Que Central de Leitos é essa que não aparece?”, declarou.

O pai de Rogério, Rafael Amorim, pediu para que o filho seja colocado em um hospital que tenha respirador, um dos itens mais importantes para pacientes internados com a Covid-19. “Tem que colocar ele num hospital que tenha capacidade pelo menos respirador. Respirador para ele, para que possa respirar melhor e sair dessa dificuldade que está tendo aí. A respiração dele é importante agora”, disse.

Na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) dos Torrões, na Zona Oeste do Recife, a luta da estudante Kamilla Rabelo é pela vida.

“Estou aqui na frente da UPA dos Torrões e meu pai, Jaime Freire Leitão Filho, está internado aqui com pneumonia, suspeita de coronavírus e ele precisa de um leito na UTI. Precisa de um respirador para sobreviver e os médicos disseram que não tem leito na UTI. […] Então fica aí esse questionamento: a gente tem que lidar com a angústia dele estar aqui e ainda ter que correr atrás de um leito para ele?”, disse.

“Nós precisamos (de um leito). O estado é responsável. É pra sobreviver, para salvar a vida do meu marido, o respirador que nós precisamos. Estamos precisando urgente, para hoje. Não é pra amanhã. É para agora. Em nome de Jesus”, afirmou Sandra Ferreira da Silva, esposa de Jaime, que tem 65 anos.